terça-feira, 23 de agosto de 2016

O Crescimento

Observar o crescimento de um filho poderá ser a maior dádiva que recebemos após a dádiva da nossa própria vida. Estamos a testemunhar a evolução e a progressão de um ser que já foi bebé e agora é uma criança que já anda, corre, cai e começa a comunicar connosco. No período de descanso semanal fomos até à vila turística voltada para o Atlântico, foram as festas da vila e aproveitámos para estar com mais família que contribuiu também para o crescimento. Houve danças ao som de música urbana, jogos de esconde-aparece, tropeções e galos na testa, houve molas de roupa como brinquedos, comida no chão e medo das ondas grandes. Ouvem-se as primeiras palavras: mais, não, avô, quero, mãe, papá. É no meio desta novidade que nos deitamos para mais um dia de trabalho, a relembrar o último fim de semana.

sexta-feira, 12 de agosto de 2016

Dias do Sotavento

Os dias do sotavento algarvio passam ao ritmo da fase lunar. Estamos em quarto crescente e há ondas na praia e carreiros no mar. Há jogos olímpicos na televisão, primeiro a natação e a ginástica e agora começa o atletismo. O calor é o habitual para o mês em que estamos e felizmente o fumo dos incêndios de outros locais não se sente no ar. O calor é tanto que é habitual o ar condicionado estar ligado e as portas fechadas. Evita-se a praia a meio do dia e assim se descansa. À noite vamos a Ayamonte jantar tapas e petiscar, bebe-se cerveja fresca de calções e camisa de manga curta. Cresce a lua e começa-se a pensar no regresso a casa e ao trabalho. Ao ritmo diário que voltaremos a ter enquanto não chega outro período assim.

domingo, 7 de agosto de 2016

Do Ócio

Os dias têm passado à mesma velocidade de sempre e é quando chegamos a meio do período de descanso e pensamos que agora vão começar a passar mais rapidamente. Não vão e ainda falta muito até ao regresso a casa. A prática do ócio ainda está a meio do caminho. Até chegarmos ao fim o calor vai escaldando a areia da praia, o vento do fim da tarde sopra um pouco mais quando assim calha e adormece-se quando é hora de acordar para sair de casa. Descanso e poucas palavras. O destino recorrente respeita o ritmo do corpo dolente que adormeceu na noite anterior no sofá da sala. Estou sem horários e mantenho os mesmos hábitos, até na recusa de sair de casa até à praia porque sei que ela vai estar à minha espera um pouco mais tarde.

domingo, 31 de julho de 2016

Próximos Dias

Se formos a ver bem há quase sempre um ano que acaba e outro que recomeça quando vamos de férias. As férias são sempre um tempo de paragem, principalmente quando começa a existir uma rotina de férias. Há também uma rotina para as férias, pelo menos para quem a procura. Ano após ano, como noutros anteriores, fazemos as malas e rumamos para o mesmo destino de sempre. O mesmo é dizer que o sítio é o mesmo, as pessoas que nos acompanham são as mesmas, os cheiros e as gentes também, a areia e o mar também, o sol e a temperatura do ar, tudo o que nos faz recordar o que já passou. Serão assim também os próximos dias. Descanso de um ano com mais trabalho, em que o tempo voltou a passar rápido. É assim que vivemos e assim que envelhecemos, numa viagem para o sul, segunda terra do meu coração.

sexta-feira, 22 de julho de 2016

Ao Contrário

Quando vamos ao contrário percebe-se melhor o caminho que fazemos quando vamos a favor. Caminhava a subir a escadaria do metropolitano perto do meu trabalho e fazia o caminho contrário ao habitual e reparei nas diferenças, na diferente perspectiva do espaço, da arquitectura, e cheguei ao meu destino habitual. Ao mudar a rotina, a forma como me desloco de um sítio para o outro, vejo a direcção que costumo fazer de uma outra maneira. Como se agora, como benefício, tivesse também a experiência das pessoas que vejo quando vou a favor, quando vou a caminhar da forma rotineira. Quando mudamos o sentido, a direcção, podemos estar apenas a afinar o rumo. Como se o contrário passasse a estar a favor, como antes o que era a favor passasse a ser contrário.

quarta-feira, 13 de julho de 2016

Quatro Anos

É curioso ler este texto passados quatro anos. É curioso porque com o tempo comecei a escrever um pouco mais sobre futebol, mas ainda assim é raro fazê-lo. Outra coisa curiosa é pensar que o texto escrito há quatro anos é muitíssimo actual, é só mudar o jogo para a final. O texto é premonitório e encerra uma crença. A crença que já existia naquele campeonato europeu de há quatro anos. Agora que somos campeões europeus é mais fácil dizer que tivemos razão antes do tempo e que o nosso país é eufórico-depressivo, sempre a duvidar das nossas qualidades enquanto povo, enquanto nação. A equipa da crença ganhou o torneio, tornou-se forte quando era fraca, soube ser paciente e estratégica depois de sofrer e defender o ataque das outras equipas. O remate do golo final é consequência do cabeceamento do primeiro golo do jogo anterior e do contra-ataque do golo do primeiro jogo a eliminar. Mas atenção que a crença e a esperança não são fáceis de praticar, dão muito trabalho.

sábado, 9 de julho de 2016

Reluzente

As pedras da calçada reluzem e brilham com a luz rarefeita deste sol de Verão. Caminho em direcção a mais um destino do meu dia. Vou contra o sol, contra o calor e o vento sopra, dando aquela falsa sensação de frescura. Mas a imagem que ressalta é mesmo a cor da luz do sol nas pedras brancas, efeito das lentes dos meus óculos escuros. Subo a rua que subia há muitos anos antes até à zona da casa da minha avó, onde vive a minha mãe e uma das minhas tias. Encontro a minha irmã que apareceu de surpresa para dar os parabéns ao afilhado, um dos meus primos. A família e o efeito da luz. A cor lilás reflectida e os anos que passaram entre os meus passos e os passos dos outros. Há também nesta luz reluzente aquela resposta que procuramos acerca da passagem do tempo e do que se mantém na nossa memória.

terça-feira, 28 de junho de 2016

Origem do Nome

Todos nós começamos a ter noção do nosso nome muito cedo, mas demoramos mais tempo até perceber a sua origem. Hoje, na véspera do dia do santo que me deu o nome, é mais um dia para entender o princípio dessa nomeação. Foi nesta data, há trinta e cinco anos, que recebi o baptismo. Foi hoje há poucas horas que recebi a mensagem da minha mãe a pedir a protecção do santo que me dá nome. Esta história católica, que me chega através da tradição e da prática, significa que a minha origem é esta, a minha raiz é esta. É uma dádiva poder saber a nossa origem e saber que fomos protegidos desde o nascimento e que essa protecção é humana, através dos nossos pais e familiares, mas é sobretudo divina. Por esta razão agradeço mais uma vez este dia que passou, o dia em que fui entendendo cada vez melhor a origem do meu nome.

sexta-feira, 17 de junho de 2016

Nostalgia Emocional

O melhor momento dos dias de concertos do festival a Norte foi a forma como o Panda Bear cantou a frase I will not give up on you da canção "Loch Raven". Não foi o melhor concerto do festival, nem de perto nem de longe, mas hoje em dia estou cada vez pior na avaliação de conjuntos e cada vez melhor na apreciação de momentos, modéstia à parte. E esse momento, o momento em que a canção ia sendo desfiada à minha frente e ouvia em loop aquela frase com a melodia toda inclusa, recordei outros tempos, outros momentos, outras idades, outras localidades, na forma de nostalgia emocional. Talvez um dia escreva sobre as recordações que tive num par de minutos que passaram como todos os minutos, agora apenas recordarei esse momento e a memória. Por vezes é preciso percorrer uma grande distância, um longo caminho, para num ou dois minutos a nossa vida voltar a ter sentido.

terça-feira, 7 de junho de 2016

Ao Norte

Já há algumas entradas terei escrito que este ano será o ano em que tenho acompanhado menos os lançamentos de álbuns e canções de artistas internacionais e nacionais. Para combater esta inércia, que se mistura com falta de tempo e falta de predisposição mental, decidimos por altura do Natal adquirir o único bilhete para um festival de Verão desta época que agora se aproxima. Por tradição e fidelidade a escolha recaiu no festival Primavera do Porto, até porque Barcelona exigiria outro tipo de logística, incomportável para o actual momento familiar. Apesar de muitos reveses, alguns deles bons, por haver outros eventos coincidentes, ainda será possível assistir a dois dias de concertos e um deles acompanhado. Dos festivais comerciais que nos são oferecidos este será quase sempre o mais independente ou alternativo, se é que isso ainda existe. De todo o cartaz há dois nomes que destaco por razões afectivas, Brian Wilson e os Animal Collective, por esta ordem, porque o primeiro é mais antigo e os segundos os mais novos. Duas razões mais que suficientes para mais uma deslocação ao Norte.

domingo, 29 de maio de 2016

Romantismo

O que impressionou naquele local foi o facto de ao pé da civilização pós-moderna surgir uma quinta cheia de lagos artificiais com carpas laranjas, plantas e árvores verdejantes num misto de romantismo bucólico e casa colonial. Ao longe víamos a cúpula do mega-fórum que é um gigante centro comercial e as tarjas das grande marcas de distribuição de bens de consumo da actualidade e ao mesmo tempo assistíamos ao casamento por debaixo das amoreiras e peixes a saltar nas piscinas de água doce esverdeadas. No meio dos jardins surgiam estátuas, palmeiras e ciprestes para completar aquele ambiente romântico. Se ao romantismo da casa juntarmos a celebração, a festa, a música e o fogo de artifício temos a receita perfeita para mais um casamento memorável.

sábado, 21 de maio de 2016

Noite Normal

Foi apenas há uma semana, descíamos os três em direcção ao Marquês de Pombal, a cantar e a sorrir, a celebrar mais uma conquista desportiva do maior clube de futebol português. Descíamos a avenida e depois fomos desviados para as ruas laterais, porque esta entrada estava cheia, rebentavam petardos ao pé de nós. Contornámos a praça até chegar à Liberdade. Nessa altura um dos elementos do nosso grupo foi para casa. Nós continuámos a tentar chegar mais perto. Antes disso, já perto do fim do jogo, cantámos o hino à varanda e gritámos o nome do nosso clube a quem passava lá em baixo na rua. A festa prometida chegou no fim, com a conquista do tricampeonato, apesar da vitória mais importante ter sido há mais de dois meses no estádio do principal adversário. Cheguei, enfim, ao Marquês. Nessa altura já estava sozinho e o autocarro com a equipa descia até à praça. Éramos milhares a cantar, a entoar os hinos e as canções. Ao som do ritmo dessas palavras os jogadores saltavam e agradeciam, agitando o espumante e mostrando a taça. Apenas a crónica de uma noite normal na vida de um tricampeão.

segunda-feira, 9 de maio de 2016

Escritos

A técnica é perder muito tempo a pensar naquilo que se vai escrever. Se não for assim há algo mais importante que nos capta a atenção e perdemos a linha de raciocínio e deitamos tudo a perder. Há uma semana atrás quando fez aquele calor imenso que parecia que o Inverno tinha acabado também tinha pensado em escrever uma entrada neste blogue, mas acabou por não acontecer. Entretanto a chuva já voltou, a chuva, o vento, tudo isso que entristece o coração, quando queremos passear. Mas apesar dessa chuva, desse vento, o passeio aconteceu, a paisagem reservou-nos o pôr do sol, os raios de luz entraram pela lente da máquina fotográfica do telemóvel para registar esse momento, cinco anos de momentos. São assim as entradas, os escritos deste blogue, que assim se irão manter até surgir algo novo, que o possa substituir.

segunda-feira, 25 de abril de 2016

Feriado de Descanso

O Abril que traz o sol da Primavera, as tempestades passageiras e o fascínio do meu filho com as crianças mais velhas. Ainda há umas semanas que o equilíbrio era dado por uma mão ou por apoio, quando agora já quase se corre no corredor e antes de chegar ao sofá, num movimento estilo mergulho, lança os braços para a frente para amortecer a chegada. São muitos momentos assim que têm acontecido, quase sempre captados pela retina e pela memória. Este súbito aquecimento do ar, como noutros anos passados recorda-nos sempre a aproximação dos meses mais quentes, solarengos e longos. Agora que já não é preciso o equilíbrio de outros tempos, as tempestades e os aguaceiros se dissiparão, comemoramos a sempre pontual passagem da vida com um feriado de descanso.

quinta-feira, 14 de abril de 2016

Demasiado Tarde

É óbvio que a vida muda. A mudança faz parte da vida e a própria vida é composta de mudança. É nesta verdade que vivo estes dias, como vivi outros dias em que havia tempo para quase tudo o que queríamos fazer. Agora há momentos de paragem no meio de uma tempestade granizada dentro do autocarro quase vazio. Durante o resto do tempo pensamos no trabalho que nos dão, no apoio que prestamos, nas respostas que nos pedem. Depois paramos em andamento e a chuva forte cria riachos no alcatrão e o verde do semáforo acende. Ainda há tempo, não é demasiado tarde?

quarta-feira, 6 de abril de 2016

Rumo à Independência

Seria provavelmente mais um dia sem uma entrada neste blogue, mas acabou por não ser assim. Há dias que vencemos o sono e despertamos antes de deitar, fazemos os nossos últimos afazeres, resumos de reuniões ou pagamentos bancários, e conseguimos ainda ter tempo para olhar para mais um dia que passou. Consigo recordar que queria ter escrito sobre o adiar dos relógios de há uma semana e meia atrás e como isso era uma hora perdida que era ganha depois. Porque o nosso filho iria começar a deitar-se mais tarde e acordar mais tarde e mudar de quarto e como isso acabou por não acontecer. Isso já é passado, mas é presente agora. Agora que já estamos no horário de Verão e o nosso filho já dorme no quarto dele e dá mais um passo rumo à independência. Hoje consegui fazer isso, parar, olhar e reflectir. Do despertar à independência quando chega o fim do dia.

quarta-feira, 23 de março de 2016

Às Montanhas

Passou o tempo para escrever sobre o regresso, a maneira como regressei. O tempo passou, não parou, voou livre sem aterrar. Agora que paro e escrevo sobre isso até esboço um sorriso. Hoje, enquanto o meu filho dorme e a sua mãe trabalha até mais tarde, tenho tempo para reflectir e escrever. Há cada vez menos tempo para isso, como se a vontade e a necessidade fossem cada vez menores. Penso na forma como pretendo passar o resto do tempo até regressar às montanhas. Chego à conclusão que quero que o tempo passe rápido até lá. Sem perceber bem que até lá muito irá acontecer e como isso será bom. Até que esse tempo chegue escreverei às montanhas.

sábado, 12 de março de 2016

Pico Veleta

Olhamos para cima e vemos o pico Veleta, o ponto mais alto da estância. Ontem subimos ao topo da estância, onde se sente o poder e a imponência da serra. No primeiro dia o tempo estava fechado, com frio polar e rajadas de vento e a meio da tarde a visibilidade ficou reduzida pela presença de nuvens e neve. É este poder que exige respeito, porque estamos sempre à mercê das condições meteorológicas. Mas ontem já esteve sol e subimos ao alto, para descer logo de seguida. Os dias sucedem-se, subimos para descer, para voltar a subir e voltar a descer. Um movimento repetitivo e sedutor. A serra acaba sempre por ganhar, voltamos sempre cansados e prontos para regressar no dia seguinte.

segunda-feira, 7 de março de 2016

Serenata à Chuva

Aquilo que eu visionei foi uma serenata à chuva. O clube de futebol do meu coração a defender na segunda parte, com unhas e dentes e alguma sorte, fruto da incompetência adversária, a magra vantagem que obteve através de um grego goleador. A chuva começou a cair e a defesa cada vez mais compacta. A bola não entrava e não entrou mesmo. Como naqueles jogos do campeonato italiano em que a defesa supera o ataque. Também há vitórias épicas a jogar à defesa, não goleámos, mas defendemos a nossa baliza, erguemos uma muralha e quando passaram essa muralha os adversários falharam o alvo. Sabe bem vencer assim, com competência e sorte. Sabe bem ser do glorioso, sabe bem ser do maior clube português no mundo, o maior de Portugal.

domingo, 28 de fevereiro de 2016

Futebol e Neve

São horas de dormir após mais dois de descanso laboral que passaram num ápice. Já não vale a pena dizer o mesmo de sempre. Não é preciso e não é necessário. Segundo a minha mulher nos últimos tempos só penso em futebol e na neve. São tempos diferentes, de facto. Mas não são tempos novos. Já houve um tempo na minha vida onde pensava em pouco mais do que isso. No inverno sobretudo. A constatação da pessoa que vive ao meu lado todos os dias é real e verdadeira. Os meus tempos livres, desde que passo mais tempo em casa, passam pelo acompanhamento da transmissão em directo dos jogos de futebol e na preparação ao segundo dos dias de cansaço físico a descer as pistas da estância de inverno mais a sul da Europa.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

Velocidade de Cruzeiro

Imaginam-se fotografias gigantes nas paredes vazias. Regressa-se por duas vezes ao estádio de futebol. Reviram-se os papéis com as contas do condomínio. Escreve-se pouco, trabalha-se mais. Cai um nevão na serra que vamos descer e as férias de Inverno estão salvas. O ritmo intensivo diário, diurno e nocturno. quando não adormeço, dá para rever a história resumida dos meus últimos dias. Sobra menos tempo para tudo o resto, para a escrita e reflexão, para a música e audição. A agenda do ano é tão preenchida que caímos no erro de tentar estar em dois sítios diferentes ao mesmo tempo. Segue assim a direito à velocidade de cruzeiro a passagem imperturbável do tempo.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

Orçamento do Estado

Agora que é Carnaval já posso voltar a escrever. Obviamente que não é assim mesmo como escrevo mas é quase. Já há Orçamento do Estado, o que estava por aprovar desde Outubro do ano passado, e depois das contas feitas chegamos ao fim com um orçamento com a maior carga fiscal de sempre. Há também a reposição de salários da função pública de uma forma original, de três em três meses há aumentos salariais. Diminui-se os impostos à restauração, que não irão descer os preços nem contratar e os combustíveis aumentam para todos. A economia mantém o crescimento anémico, as empresas sofrem com o aumento dos custos de transporte e reflectirão esse custo nos bens e serviços que prestam. A execução orçamental está completamente dependente da propensão marginal a consumir e na fé no aumento da receita fiscal, que será a maior de sempre. Amanhã já não será Carnaval.

domingo, 31 de janeiro de 2016

Premonições

Nestes últimos dias tenho acordado com imagens dos sonhos que fui tendo enquanto dormia. Vejo imagens nítidas como fotografias ou filmes em que recordo aquilo que sonhei. Nesses sonhos tento antecipar o que a vida e o que o futuro me vai trazer. São premonições misturadas com desejos, preocupações que tento lidar e superar. Dizem que os sonhos têm essa capacidade e quem sabe essa origem. Hoje chega ao fim mais um mês em que se viveu muito mais do que se escreveu e reflectiu. Não quero ter o dom da ubiquidade, seria bom porventura, mas simplesmente já não dá para estar em todos os sítios que gostava, em todos os compromissos em que me coloquei. Os próximos meses serão meses de escolha. Que os sonhos também me possam ajudar nessas decisões.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Interesses

Há alinhamentos de cartazes que são revelados e ao mesmo tempo vejo novamente as condições da neve numa estância de ski em Espanha. São os interesses pessoais que tenho, que foram ganhando primazia sobre outros que já tive. Mesmo entre estes interesses existem e existirão conflitos. Hoje em dia a neve está a ganhar, não por muito, mas pelo suficiente para ser a preferência no investimento no tempo que tenho para lazer, que vai sendo cada vez menos. Não há muita explicação racional para esta preferência pessoal, tão radical como burguesa. São recordações de juventude, nostalgia de um tempo que já não volta mais, como todo o que já passou. Só montanhas e muitas pistas a descer e muitos momentos de família.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

Experiência da Paternidade

Acabo de preparar o leite das onze horas da noite, a ceia do meu filho. Não é costume ser eu a preparar, muitas das vezes a essa hora já adormeci junto a uma almofada do sofá. Hoje o nosso filho não quer beber o leite. Podem ser os dentes que estão a nascer e provocam incómodo. Pode ser por outra razão qualquer que os pais de primeira viagem ainda não conseguem entender. Daqui a mais uns minutos tentamos outra vez. A minha mulher é a super mãe e a super mulher que vai dirigindo este barco. Estamos cansados mas alegres, estafados mas preenchidos, ensonados mas completos. Estamos a receber a experiência da paternidade.

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

Daqui Adiante

Provavelmente vai ser sempre assim daqui adiante. Tentaremos sempre perceber como o dia está outra vez a terminar e não houve tempo para quase nada. Mas não é bem assim. Existiu tempo para tudo. Existiu tempo para sair de casa à hora de sempre, depois da rotina de preparação matinal. Existiu tempo para trabalhar nos dois trabalhos que agora acumulo. Até existiu tempo para chegar a casa, levar o filho depois do banho enrolado numa toalha até ao quarto, arrumar a loiça lavada e colocar a loiça suja da manhã novamente na máquina, jantar a refeição preparada no robot de cozinha. Para depois arrumar de novo a cozinha enquanto tomamos mais um café. Entretanto há um novo ano para viver e será assim que será daqui em frente.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Três Dias

O nosso Natal, que agora são três dias, já terminou. Terminou, mas deixou as suas marcas na memória que ainda é recente. Ao celebrar o nascimento de Jesus, celebramos também o nascimento do nosso primeiro filho. É assim desde o ano passado. Será assim para sempre. Os dias são de festa e de comunhão e sucedem-se um a seguir ao outro, desde a celebração de aniversário em nossa casa, com poucas paragens e muitas viagens entre as casas de família. É bom, apesar de ser cansativo. A viagem entre as casas com um bebé de um ano implica uma logística maior, com presentes, camas desmontáveis, peluches e malas com fraldas, roupa, soros, aspiradores nasais, e tudo o que acompanha uma criança pequena. A sensação de cansaço é claramente compensada pela oferta, pela reunião de todos em torno de um só acontecimento de três dias.

domingo, 20 de dezembro de 2015

Voracidade

Não há muito tempo para me sentar e escrever, a passagem dos minutos é incessante e incansável. Parece que agora começo todas as entradas desta forma, mas não é por falta de ideias, a ideia mais forte é mesmo esta e tem sido assim ao longo de todo o ano. Apesar da reorganização, o mais importante é aproveitar o tempo livre para estar com a família e ver o nosso filho a crescer. Esta realidade traz por isso uma escolha e uma decisão. Por isso este texto e tantos outros acabam nesta reflexão e não na descrição de momentos. Os momentos dos últimos dias podem resumir-se ao encontro e à partilha, de jantares alusivos à época e de balanço do ano que termina, aos concertos de celebração familiar e intimista. A voracidade da passagem do tempo segue dentro de momentos.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

Reorganização

Próxima estação: Azinhaga dos Alfinetes. Estou a chegar a casa e passo na ponte sobre o comboio onde se vê o rio e a vista do estuário. Já é noite escura e as luzes dos carros brilham e movimentam-se ao longe. Há sempre uma nova rotina que encontramos passados alguns meses. Tem a ver com a natureza humana e necessidade de reorganização dos dias após uma disrupção com uma anterior rotina. Reencontrado o equilíbrio há um novo olhar sobre o dia, sobre o movimento desse dia e uma súmula que é mais fácil fazer de um conjunto alargado de dias. Já se consegue ouvir um disco ao fim do dia, enquanto a minha mulher vê mais um episódio da série televisiva que está a gravar. No próximo capítulo falarei nas prioridades, da forma como as prioridades se entrelaçam com os equilíbrios.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

Pálpebras

São as pálpebras que se vão fechando e tentando que o adormecimento seja real. São várias as noites que as pálpebras ganham à vontade de ficar acordado mais uns minutos. Tem sido assim praticamente todos os dias. Começo a escrever ou a ler, a ouvir música ou televisão e a batalha do sono é ganha por elas. De dia, antes da fadiga se instalar, vou olhando para as pessoas com quem me vou cruzando, muitas vezes as mesmas de dias anteriores. São dias consecutivos da mesma caminhada entre trabalhos. Até o texto se vai apagando em vez de ir avançando. Perco o fio à meada até me encontrar novamente em frente ao ecrã. Até ganhar mais uma batalha às pálpebras que ainda não fecharam, até escrever a última frase de mais um dia que acaba.

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Primeira Viagem

São vapores que emanam de um tubo de plástico e peixes que nadam num aquário gigante. Medicamentos em forma de vapor de ar para curar a respiração. Guelras que respiram o oxigénio dissolvido na água. No meio dos dois acontecimentos há idas à farmácia para comprar os medicamentos, ao hospital para confirmar o diagnóstico. Confirmado o diagnóstico resta aplicar a terapêutica e aguardar os seus efeitos. Tão somente isso. Acompanhar e estar vigilante. Continuar a trabalhar e a descansar e apoiar a médica cá de casa. Somos pais de primeira viagem e tudo o que está a acontecer é sempre uma novidade, mesmo que não seja bom ver os vírus alojados num corpo tão débil ainda, mas muito mais forte do que há uns meses atrás. Ao relembrar os peixes a nadar no aquário, a placidez dos seus movimentos e esse momento de união familiar confio que ficará tudo bem. Já está tudo melhor desde que o pequeno peixe começou a nadar.

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Com Sono

Há dias em que não adormecemos logo que ficamos com sono. Hoje é um desses dias. Não escrevo para o demonstrar, apenas para preencher este espaço vazio que avança à minha frente. Visiono intervenções no parlamento da minha república porque estou preocupado, como todos estamos com aquilo que vai acontecendo. Analiso o momento político com a minha capacidade que é mínima e volto a pensar que tenho de tentar adormecer. A importância do dia de amanhã é maior que os dias de amanhã. Lutarei por aquilo que acredito: pelo futuro risonho que encontro todos os dias quando rodo a chave da porta de minha casa. É essa casa, esses sorrisos, essas vidas que tenho de proteger, salvar e guardar. Se isto parece um exagero é pouco. Salvarei a minha noite por isso, guardarei este texto sempre que não consiga adormecer logo que tenho sono.

sábado, 7 de novembro de 2015

Manhã de São Martinho

À procura de inspiração vou em busca da frase que li num programa que vi na manhã que passou. Não encontro a frase mas recordo o sentido. Algo sobre o amanhã que é mutante e diverso do hoje. Hoje é um dia presente, como as palavras que escrevo, e o amanhã é futuro que muda constantemente e está sempre condicionado e livre, escrito e por escrever, uma folha branca que vamos gatafunhando, apagando e por vezes rasgamos. Hoje de manhã com o céu limpo, o sol forte a acalorar a subida das escadas exteriores de segurança até ao último piso. Verifico os danos provocados pelo temporal e ventania de há alguns dias nas telhas do telhado do meu prédio. Faço a reportagem e envio a mensagem aos restantes condóminos a relatar o que vi e o que fiz. Esta foi a manhã que passou. Uma manhã de Novembro, solarenga, efeito do Verão de São Martinho deste ano. O primeiro Verão de São Martinho do nosso primeiro filho.

sábado, 31 de outubro de 2015

Na Cama dos Pais

Agora que já começa a estar mais frio chegam as constipações e as doenças do foro respiratório que afectam o nosso filho. Como é difícil para ele dormir com a tosse e com o aparecimento dos primeiros dentes é usual que acabe a noite na cama dos pais. O tempo passou num ápice, num instante, assim como quem pisca um olho ou vira uma página de um jornal, e ele foi crescendo e agora já começa a tentar dar os primeiros passos. Parece que foi ontem que começou, na verdade já passaram alguns meses e claro que a vida mudou. A mudança mais visível vê-se na responsabilidade dos pais. A mãe já acabou a especialidade profissional e o pai tem dois trabalhos ao mesmo tempo. É preciso somar e economizar para chegarmos ao fim do dia em que adormecemos no sofá e chegamos à cama de madrugada para ver o nosso filho na cama dos pais.

domingo, 25 de outubro de 2015

Furacão Patrícia

O furacão Patrícia já atingiu o oeste do México e enfraqueceu assim que chegou a terra. Dizem que terá sido o furacão com os ventos mais fortes de sempre. Ao longe tudo parece menos intenso. Por cá, no nosso país, começaram as primeiras chuvas de Outono, apesar de não me lembrar de estar tão ameno já no fim de Outubro. Mas provavelmente é sempre assim e eu não noto. Já furacões como o Patrícia são mais raros. O aquecimento global a tornar a raridade numa notícia à escala mundial. As águas equatoriais nunca estiveram tão quentes, como ambiente social do nosso país. Como o furacão que atinge a costa e depois enfraquece e dissipa-se, também eu espero que o turbilhão de reacções a quente se atenue e desvaneça. Todo este caos político só alimentará os ventos que poderão ser cada vez fortes. Mas como o furacão Patrícia, um dia esses ventos chegarão ao seu fim e quem ficar por cá vai ter de reconstruir o que eles deitaram abaixo.